Das linhas
Construo as palavras em seu eco, como labirinto ressonante de pura linguagem. Há, nele, um dialeto perdido que se constrói na linha reta, na linha que se recusa ser curva que converte imagem em matéria fugaz e sem forma, mas na forma que se sustenta e traz a ela tantas outras formas que ganha sem ceder à discrepância em sua própria imagem. A linha reta é a linha aditiva, violentamente arquitetônica. Sua idéia de pluralidade é sufocada por sua linearidade clara, contínua, incapaz de divagar, de perder a própria forma, de perder-se. A linha reta é incapaz de extrapolar ou de estacionar-se no círculo, progride, mas sua direção é única e ruma ao infinito lugar-nenhum vinda de um infinito lugar-nenhum, estonteante. Se houvesse um predador de linhas, a linha reta seria extinta, ela é previsível, jamais tomará outra direção que não aquela que fora determinada pelos dois míseros pontos que a determinam. A linha curva é dinâmica ao mesmo instante que é estática no círculo... A linha curva é completa...


